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Coronelismo, enxada e voto


Comentário do livro:

CORONELISMO, ENXADA E VOTO



Não há como falar sobre o texto e deixar de comentar sobre Vitor Nunes leal umas das mais vibrantes personalidades que o nosso país já teve, sua carreira política e jurídica nos revelam a posição de onde pôde realizar uma análise política e social do Brasil.
A abordagem realizada sobre os coronéis, mostrando que os homens da lei que deviam manter a segurança e a paz na região entram em declínio financeiro, todavia com o advento da república, os trabalhadores rurais que estavam sobre a tutela do coronel são transformados em eleitores. A república confirma a visão que os trabalhadores tinham do coronel, que apesar de estarem submissos e em total dependência ao coronel o admiravam como homem rico, mas o Vitor Leal nos mostra a sua pobreza. Ao barganhar os votos a república então nascida cria o fenômeno do coronel, até então herdeiro da Guarda Nacional cuja influência estava fadada a desaparecer com o tempo, agora ressurge com papel importantíssimo no cenário político, peça chave nos conchavos eleitorais.
Um esquema é montado da esfera federal, estadual até o coronel, cada um para se manter no poder vende seu apoio e revela sua dependência. O coronelismo nada mais é que uma troca de favores financiada por ambas as partes e corroboradas através de empregos, força policial, recursos públicos, e tantos artifícios estatais utilizados para que tudo se mantenha conforme desejam.
Para Vitor Nunes Leal isto ocorria pela falta de uma presença efetiva e institucional do poder municipal, ele via na elevação da autonomia municipal uma forma de coibir as práticas coronelistas, o mundo agrário e a ausência de um regime representativo municipal foram tudo o que contribuiu para o coronelismo se fortalecer no sistema político brasileiro.
Em seu texto o coronelismo é revelado em todas as suas facetas, sua força concedida pelo regime republicano, no jogo político em manter seu curral eleitoral, mas também as suas fraquezas são reveladas, a sua dependência política dos poderes superiores e debilidade financeira, sua presença no campo político não por conquistas, mas para sustentação de um esquema obsoleto e degradante na política nacional. É incrível ver a atualidade da análise. Quem dera que tenhamos hoje uma emancipação social e uma quebra total de práticas do coronelismo.

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