Uma parte de mim

Uma parte de mim
é todo mundo;
outra parte é de ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão;
outra parte estranehza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera;
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta;
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente;
outra parte
se sabe de repente,
Uma parte de mim
é só vertigem;
outra parte, 
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?


Gullar, Ferreira. Na Vertigem do Dia. Riode Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.p.27.

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