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A Bíblia e sua Linguagem Figurada


"Desvenda os meus olhos, para que veja as maravilhas da tua lei" 
(SI 119.18)

A Bíblia tem alguma coisa diferente de todos os outros livros deste mundo.
A sua preservação por tantos séculos e a sua divulgação, sendo aceita e apreciada por tantas pessoas de classes, condições e profissões diferentes. Reis, filósofos, poetas, estadistas, sacerdotes, médicos, publicanos, pescadores, etc. escreveram, um no deserto de Sinai, outro no palácio de Jerusalém, outro junto ao rio da Babilônia, outro na cadeia de Roma, outro na Ilha de Patmos. Há um período de quase 1.600 anos entre o primeiro e o último escritor. Os materiais apresentados são: história, genealogia, lei, ética, profecia, ciência, higiene, economia, política e regras para a conduta pessoal. Tudo isto forma uma unidade, expondo o plano de Deus na salvação dos pecadores.
Gênesis é o começo das coisas. Apocalipse, a consumação.
De Gênesis a Malaquias - A Salvação necessária, prometida e tipificada.
Os quatro Evangelhos - A Salvação realizada.
De Atos a Apocalipse - A Salvação aplicada e consumada.
Na exposição da mensagem de Deus, a Bíblia usa linguagem figurada ou simbólica, que pode ser entendida pelo contexto ou pela comparação doutras passagens no mesmo assunto.
Muitas figuras de retórica estão no texto bíblico, tornando a idéia enfática, mantendo sempre a clareza do pensamento. A Bíblia é assim um livro de metáforas, símiles, alegorias, tipos, símbolos, etc.
Metáfora - Um objeto tomado por outro - "O Cordeiro de Deus".
Símile- Comparação- "Sou como o pelicano no deserto" (SI 102.6a).
Metonímia - Uma coisa tomada por outra, com relação de:
a)  Causa pelo efeito - "Têm Moisés e os profetas" (Lc 16.29b).
b) Efeito pela causa - "Duas nações há no teu ventre" (Gn 25.23a).
Hipérbole - Aumento ou diminuição exagerada da realidade das coisas, "...faço nadar o meu leito...com as minhas lágrimas" (SI 6.6).
Ironia - Pensamento com sentido oposto ao significado literal, "...o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal" (Gn 3.22b).
Antropomorfismo - Atribuição a Deus das faculdades hu­manas: "O Senhor cheirou o suave cheiro" (Gn 8.21a).
Tipo - Alguma pessoa, coisa ou cerimônia que se refere a eventos futuros.
Símbolo - Algum objeto material representando verdades espirituais.
Alegoria - Aplicação alegórica de histórias verídicas ou exposição dum pensamento sob forma figurada.
Exemplos de alegorias: No primeiro caso, está a história dos dois filhos de Abraão, Ismael e Isaque, como os dois concertos da lei e da graça (Gl 4.22,23). No segundo caso, vem a história da vinha que foi trazida do Egito (SI 80.8-10); e a das duas águias e a videira (Ez 17.3-10). Há várias outras nos profetas. O livro de Cantares é uma alegoria representando o amor de Cristo para a sua igreja.
Parábola - Uma narrativa em que as pessoas e fatos corres­pondem às verdades morais e espirituais.

Símbolos e tipos
Como as duas figuras mais desenvolvidas neste livro são símbolos e tipos, será bom observar alguns fatos ligados ao seu uso.
O tipo é alguma pessoa ou coisa que se refere a acontecimen­tos futuros. Sempre é empregado na esfera religiosa.
O símbolo é algum objeto material, representando verdades morais e espirituais. E usado em geral na linguagem e nas atividades dos homens.
Para compreender bem as Escrituras Sagradas, é preciso ter uma noção clara dos símbolos. Deste modo se entende melhor os tipos. Um tipo pode encerrar vários símbolos. A interpretação das profecias depende da significação dos símbolos. Por meio de símbolos, o Velho Testamento contém as doutrinas do Novo.
Primeiramente se entende o vocabulário da Bíblia no sentido literal. Depois aparece o simbolismo, lembrando algum aspecto da obra de Jesus Cristo, da vida da Igreja, ou das obrigações do crente em seu testemunho e cultivo da comunhão com Deus.
Um modo de classificar os tipos é assim:
Tipos históricos e tipos rituais.
Os tipos históricos podem ser pessoais ou coletivos.
Pessoais, quando certos personagens do Velho Testamento têm alguma semelhança com a pessoa de Jesus ou ilustram alguma revelação da doutrina do Evangelho. Este caso é o que vem no capítulo intitulado Tipos Humanos de Jesus.
Coletivos, aplicação dos acontecimentos da vida dum povo ou duma coletividade à Igreja aqui no mundo ou como aviso sobre o modo de proceder dos crentes.
Tipos rituais, quando os detalhes da Lei Mosaica prefiguram o ensino do Novo Testamento. Isto aparece nos capítulos sobre o Tabernáculo e sobre cerimônias de Levítico.

Por:  Melo, Joel Leitão de, 1909 - Sombras, tipos e mistérios da Bíblia. Rio de Janeiro, CPAD. 1989.


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