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Deus sempre cumpre seus desígnios


Tudo isto é profundamente interessante e instrutivo. Há rodas que giram dentro de outras rodas no mecanismo do governo de Deus (Ez 1:16). O Senhor serve-Se duma variedade infinda de agentes para realizar os Seus propósitos inescrutáveis. A mulher de Potifar, o copeiro do rei, os sonhos do Faraó, o cárcere, o trono, as cadeias, o sinete real, a fome—tudo está ao Seu soberano dispor, e tudo serve de instrumento no desenrolar dos Seus prodigiosos desígnios. A mente espiritual deleita-se em meditar nestas coisas ao percorrer o vasto domínio da criação e da providência e ao reconhe­cer, em tudo, o mecanismo que o Deus Onisciente e Onipotente utiliza para executar os Seus propósitos de amorredentor.

É verdade que podemos ver muitos sinais da serpente, pegadas bem definidas do inimigo de Deus e do homem; coisas que não podemos explicar nem compreender; a inocência que sofre e a maldade que prospera podem dar certa aparência de verdade ao raciocínio dos incrédulos e cépticos; porém o verdadeiro crente descansa na certeza de que "O Juiz de toda a terra" fará justiça (Gn 18:25).

Bendito seja Deus pela consolação e encorajamento que nos dão estas reflexões! Precisamos delas a cada instante, ao atravessarmos este mundo de pecado, onde o inimigo tem feito mal aterrador, no qual os vícios e paixões dos homens produzem frutos tão amargos e onde o caminho do verdadeiro discípulo apresenta escabrosidades tais que a simples natureza jamais poderia suportar. A fé sabe, de certeza, que existe Alguém atrás dos bastidores a Quem o mundo não vê nem respeita, e, sabendo-o, pode dizer com serenidade: "tudo vai bem".

Estes pensamentos são-nos sugeridos pelas palavras no começo deste livro. "O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade" (Is 46:10), diz o Senhor.

O inimigo pode opor-se; mas Deus há-de estar sempre acima dele; e tudo que precisamos é de um espírito simples e pueril de confiança e descanso nos propósitos divinos. A incredulidade pre­fere olhar para os esforços que o inimigo faz para neutralizar os planos de Deus, sem ter em conta o poder de Deus para lhes dar cumprimento. E para este poder que a fé volve os olhos, e assim obtém vitória e goza de paz constante. E com Deus que a fé tem que ver e a Sua infalível fidelidade. Não se apoia sobre as areias move­diças das coisas humanas e das influências terrenas, mas sim na rocha inabalável da eterna Palavra de Deus. E esta a base sólida e santa da fé. Venha o que vier, permanece nesse santuário de força.

"Sendo, pois, José falecido, e todos os seus irmãos, e toda aquela geração." E depois? A morte poderia porventura prej udicar os desíg­nios do Deus vivoi Certamente que não. Deus aguardava apenas o momento destinado, o momento oportuno, e então as influências mais hostis serviram de instrumento no desenrolar dos Seus planos.

C.H. Mackintosh

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