Meus olhos se abriram ao raiar do sol. Para muitos, um dia comum, mas eu sabia onde estava e o que tinha feito. Fui atraída por um desejo voraz. Meus ouvidos aceitaram palavras tão graciosas. Não resisti. Cedi. A companhia da última noite partiu, levando consigo a minha paz. Percebi a ilusão. Estava só. Eu e o meu pecado. Minha ausência seria sentida. A notícia logo se espalharia. O pensamento voou. Lembrei-me dos dias em que sentava ao lado do pai e lia as escrituras. Tardes em que decorava o decálogo, noites em que olhava para o céu e pedia o Messias. Fui instruída. Conhecia a Lei. Sabia qual seria o meu fim. Um estrondo na porta me fez voltar à realidade. Escribas... Fariseus... Fui tomada a força, sem direito a despedidas. Antes de meu rosto ceder pude ver uma multidão enraivada. Alguns sorriam, mas com pedras nas mãos. Desconhecidos... Amigos... Familiares... Talvez eles estivessem certos. Era a nossa tradição. Era a lei Mosaica. A escolha, agora arrependida, tinha sido min...